08/09/2011

As garças de plástico de São Luís

As garças de plástico
que vi lá no mangue
me falam
dos caminhos dos litros de água sanitária
que os moleques buzinam
em suas vadiagens na areia

As garças
altivas aves de plástico
jazem ou vivem no topo dos galhos
dos mangues que há nesta São Luís

Cruzar a ponte
sobre o rio Anil
é ver garças de plástico
brancas, penduradas em galhos de mangue...
São garças,sim, são!
Mas de plástico
e por dentro
o lixo dos pobres,
dos palafitados
dos mal-educados
dos apenas remediados
dos nunca assistidos
dos renegados e execrados
pela mão do grande deus social
que pinta de branco plástico
(todo santo dia)
pontos do verde manguezal

Mas essas garças não voarão
como suas parentas de penas
elas boiarão por todo lado
distribuindo doenças
como não se distribui renda por aqui

Quando a maré encher
elas se libertarão dos galhos
para alimentar de miséria e vermes
crustáceos, peixes e pobres.
(marcelino,25, 27.07)

** Sobre o rio Anil passa a ponte que liga o centro de São Luís a outros bairros da capital maranhense, dali avistam-se os manguezais "enfeitados" com sacos de lixos, em geral brancos. São Luís, 399 anos (08/09/1612)

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